Economia

Seguro agrário viabiliza indemnizações de 20 milhões para produtores

Agosto 9, 2026

Compensação financeira apoia produtores agrícolas

A Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) concluiu recentemente o desembolso de aproximadamente 20 milhões de meticais destinados a indemnizar agricultores situados no distrito de Mogovolas, na província de Nampula. Esta medida insere-se no âmbito da implementação do seguro agrário, um mecanismo concebido para oferecer protecção financeira aos produtores face aos múltiplos riscos inerentes à actividade agrícola, que é frequentemente vulnerável a factores climáticos e ambientais imprevisíveis.

O montante entregue aos beneficiários representa o pagamento de prémios decorrentes da perda de produção registada durante a época agrícola de 2025. Estes prejuízos foram causados por diversos factores naturais, que comprometeram o rendimento esperado pelos agricultores que optaram por aderir às apólices de seguro disponíveis.

Estratégia de protecção e expansão do sector

Segundo o Presidente do Conselho de Administração da EMOSE, Janfar Abdulai, a instituição tem desenvolvido um trabalho contínuo ao longo dos últimos três anos, focando-se em províncias com forte vocação agrícola, como Nampula e Zambézia. O objectivo central desta iniciativa é consolidar uma solução robusta de protecção financeira que não apenas ampare o agricultor em momentos de crise, mas que também funcione como um estímulo para a expansão e modernização da actividade agrícola em todo o território nacional.

A oferta da seguradora inclui diversas modalidades adaptadas às necessidades específicas do campo. Entre as soluções disponibilizadas, destacam-se seguros para sementes, coberturas contra calamidades naturais, protecção contra quebra de rendimento e seguros de índice paramétrico. Estas ferramentas visam cobrir diferentes níveis de risco, permitindo que o produtor tenha maior previsibilidade sobre o seu investimento, mesmo diante de condições adversas.

Desafios na adesão e sensibilização

Apesar da relevância destas soluções para a sustentabilidade do sector, a adesão ao seguro agrário ainda é considerada relativamente reduzida. Para a EMOSE, o desafio de aumentar a penetração deste serviço passa obrigatoriamente por um esforço de sensibilização mais abrangente. É necessário que os agricultores, os promotores da actividade agrícola e as instituições públicas compreendam a importância estratégica deste mecanismo como um pilar de resiliência económica.

Janfar Abdulai defende que a integração da componente de seguro em programas governamentais de fomento agrícola seria um passo fundamental para reduzir a vulnerabilidade dos produtores. Ao incluir a obrigatoriedade ou o incentivo ao seguro em iniciativas estatais, como a distribuição de sementes, seria possível criar uma rede de segurança mais eficaz. Por exemplo, em situações onde as sementes distribuídas não germinam devido a condições previstas na apólice, a seguradora poderia ser accionada para proceder à indemnização ou à reposição dos insumos, garantindo que o ciclo produtivo não seja interrompido de forma definitiva.

Contexto sobre a gestão de riscos na agricultura

A agricultura é, por natureza, uma actividade de alto risco, fortemente dependente de variáveis que fogem ao controlo humano, como a pluviosidade, pragas e fenómenos climáticos extremos. Em muitos contextos globais, o seguro agrário funciona como um instrumento de gestão de risco que permite aos produtores transferir parte da incerteza financeira para uma entidade seguradora. Ao pagar um prémio, o agricultor garante que, em caso de sinistro coberto, receberá uma compensação que poderá ser utilizada para cobrir custos operacionais ou para o reinício da produção na época seguinte.

A implementação de seguros de índice paramétrico, mencionados pela EMOSE, é uma tendência moderna no sector. Diferente do seguro tradicional, este modelo paga indemnizações com base em índices pré-definidos (como a quantidade de chuva ou temperatura), o que agiliza o processo de pagamento, pois não exige uma avaliação individualizada de cada parcela de terra após o evento. Esta celeridade é crucial para que o agricultor possa recuperar a sua capacidade produtiva com a maior brevidade possível, mantendo a segurança alimentar e a estabilidade económica das comunidades rurais.

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