O panorama atual do desemprego entre os jovens
O mercado de trabalho global enfrenta um momento de incerteza, com um impacto desproporcional sobre a população mais jovem. Dados recentes indicam que o desemprego entre indivíduos com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos tem registado uma tendência de subida. A taxa global, que se situava nos 12,3% entre 2023 e 2024, sofreu um incremento, atingindo os 12,4% no último ano. Este cenário traduz-se em cerca de 67 milhões de jovens que, apesar de estarem em idade ativa, encontram-se fora do mercado laboral.
A dificuldade em aceder a empregos dignos e estáveis tornou-se um obstáculo persistente. Entre 2023 e 2025, observou-se que as taxas de desemprego juvenil aumentaram em oito das 11 sub-regiões analisadas, sinalizando que a problemática não é isolada, mas sim um fenómeno de escala mundial que exige atenção imediata por parte dos decisores políticos e económicos.
Fatores que impulsionam a crise laboral
A desaceleração do crescimento económico global, aliada a uma criação de postos de trabalho insuficiente, tem dificultado a absorção de novos talentos. A este contexto somam-se tensões geopolíticas que geram instabilidade nos fluxos comerciais e de investimento. Paralelamente, as rápidas transformações tecnológicas estão a redesenhar as competências exigidas pelas empresas, criando uma lacuna entre a formação académica e as necessidades reais do mercado.
Especialistas em emprego sublinham que o desafio central não reside apenas no volume de vagas criadas, mas na qualidade do emprego oferecido. É fundamental investir em competências que sejam relevantes para o futuro, garantindo direitos laborais e proteção social. A tecnologia, se bem gerida, deve atuar como uma ferramenta de inclusão e não como um fator de exclusão para as novas gerações.
Desigualdades e o grupo dos ‘Neet’
Um dos indicadores mais preocupantes é o número de jovens que não estão empregados, nem a estudar ou em formação profissional, categoria conhecida pela sigla Neet. Atualmente, cerca de 257 milhões de jovens encontram-se nesta situação, o que representa um em cada cinco jovens a nível global. A disparidade de género é evidente e alarmante: em 2025, mais de dois em cada três jovens nesta condição eram mulheres.
A taxa de mulheres jovens que não trabalham nem estudam atingiu os 27,4%, um valor que supera em mais do dobro a taxa registada entre os homens, que se fixou nos 13,1%. Estes dados refletem barreiras estruturais que ainda impedem a plena participação feminina no mundo do trabalho.
O papel da tecnologia e a transformação das profissões
A inteligência artificial e a automação estão a alterar profundamente a natureza do trabalho. Estima-se que cerca de 6,1% dos empregos ocupados por jovens estejam em profissões altamente expostas a estas mudanças tecnológicas. Historicamente, funções administrativas e de escritório serviam como portas de entrada para o mercado laboral, mas estas vagas estão a diminuir, exigindo que os jovens se adaptem a novas áreas, como a ciência, a engenharia e a saúde, onde a procura por competências técnicas continua a crescer.
A importância do investimento em capital humano
Criar empregos decentes para os jovens é considerado um dos investimentos mais estratégicos que um país pode realizar. Quando uma geração é privada de oportunidades de qualidade, a sociedade perde produtividade, talento e coesão social. A longo prazo, a exclusão laboral juvenil pode comprometer o desenvolvimento económico das nações.
Para reverter este cenário, as recomendações apontam para a necessidade de uma abordagem centrada no ser humano na governação da tecnologia, garantindo que a inovação promova oportunidades equitativas. Além disso, o reforço dos sistemas de educação, a promoção da aprendizagem ao longo da vida e o fortalecimento das instituições do mercado de trabalho são pilares essenciais para facilitar a transição bem-sucedida dos jovens para a vida adulta e profissional.
Em países de baixa e média renda, o desafio é ainda mais complexo, com uma elevada prevalência de trabalho informal. Quase nove em cada 10 jovens nestas regiões operam fora da proteção social, o que limita a sua capacidade de construir carreiras estáveis e seguras. A transição para a formalidade e a garantia de condições dignas permanecem como metas cruciais para o futuro do trabalho global.

