Estratégia de reforço da sanidade animal
O setor pecuário prepara-se para um reforço significativo na sua capacidade de resposta contra doenças virais. Foi anunciado que, num horizonte temporal entre 12 a 18 meses, serão disponibilizadas mais de um milhão de doses de vacina contra a febre aftosa. Esta operação tem como objetivo central fortalecer a proteção do efetivo bovino e assegurar a continuidade dos ciclos de vacinação, com foco prioritário nas áreas geográficas identificadas como de maior risco epidemiológico.
A aquisição, confirmada por responsáveis da área da Sanidade e Biossegurança, baseia-se em acordos já estabelecidos com fornecedores. Contudo, a entrega do material ocorrerá de forma faseada, uma medida ditada pela capacidade produtiva dos fabricantes. Esta logística de distribuição gradual é um fator determinante na planificação das campanhas de imunização, exigindo uma gestão rigorosa dos stocks existentes para evitar interrupções no fornecimento às zonas que mais necessitam de intervenção.
Prioridades e desafios na vacinação
A estratégia nacional de controlo da doença contempla uma cobertura abrangente, com especial atenção às províncias de Manica e Tete, sem descurar outras regiões vulneráveis, como Maputo e Gaza. Atualmente, o país conta com uma reserva de cerca de 400 mil doses, um volume que, aliado às novas remessas, visa manter a estabilidade da campanha de imunização. Este esforço é parte integrante da campanha nacional de vacinação animal iniciada em abril de 2026, que estabeleceu a meta de proteger cerca de 2,4 milhões de bovinos contra a febre aftosa, além de outras patologias como o carbúnculo hemático, o carbúnculo sintomático e a dermatose nodular.
A execução deste plano tem enfrentado desafios logísticos consideráveis. A chegada parcelada das vacinas, em meses anteriores, obrigou a uma reestruturação do calendário inicial, levando as autoridades a prolongar o período de vacinação para garantir que a cobertura fosse a mais vasta possível. Além do apoio técnico e logístico de organizações internacionais, como a FAO, que disponibilizou 62 mil doses para reforçar a capacidade de resposta, o Executivo tem manifestado a intenção de fomentar a produção nacional de vacinas. O objetivo é claro: reduzir a dependência de fornecedores externos e conferir maior autonomia ao sistema de sanidade animal.
Contexto e impacto da febre aftosa
A febre aftosa é uma patologia viral de elevada contagiosidade que afeta animais de casco fendido. A sua presença num território não representa apenas um problema de saúde animal, mas também um risco económico severo. A doença provoca uma redução drástica na produtividade pecuária e impõe restrições severas à circulação e comercialização de animais e produtos derivados. Em cenários de surtos, o impacto estende-se a toda a cadeia de valor, afetando desde pequenos produtores até ao comércio internacional de carne.
A importância de manter reservas regulares de vacinas é sublinhada pelo agravamento recente dos indicadores de sanidade animal. Dados oficiais apontam para um aumento expressivo no número de focos de doenças animais registados num período recente, resultando em perdas significativas de efetivo bovino. Estes números evidenciam a pressão constante sobre os serviços veterinários e a necessidade de medidas complementares à vacinação, como o reforço da vigilância epidemiológica e o controlo rigoroso da movimentação de animais, especialmente em zonas fronteiriças.
Cooperação e sustentabilidade
A dimensão transfronteiriça da febre aftosa exige uma abordagem coordenada entre países vizinhos. Recentemente, foram estabelecidos entendimentos para o reforço da cooperação na troca de informações epidemiológicas e na coordenação de medidas preventivas. Esta colaboração é fundamental para mitigar o risco de propagação de doenças entre fronteiras, protegendo o património pecuário regional.
Em última análise, o sucesso destas campanhas depende não apenas da disponibilidade de vacinas, mas de uma distribuição eficiente que alcance as zonas rurais mais remotas. Para milhares de famílias que dependem da pecuária como fonte de subsistência e rendimento, a eficácia destas medidas de controlo sanitário é um pilar essencial para a estabilidade económica e a segurança alimentar, permitindo a preservação dos rebanhos e a sustentabilidade da atividade produtiva a longo prazo.

