Sociedade

Pescadores de Inhambane Pedem Revisão do Período de Veda de Pesca

Julho 4, 2026

Pescadores artesanais na província de Inhambane expressam crescente preocupação com a diminuição das capturas de peixe, o aumento dos custos da atividade e a incerteza que se tornou rotina. Centenas de embarcações saem diariamente em busca de sustento, mas muitas regressam com poucas ou nenhumas capturas, impactando milhares de famílias que dependem desta atividade para sobreviver.

Preocupações com a Redução de Capturas

O setor, que emprega mais de 18 mil pescadores e produz cerca de 21 mil toneladas de pescado anualmente, sente os efeitos da escassez. Pescadores como Raimundo Lurdes e Momade Queha relatam a dificuldade em encontrar peixe, atribuindo a situação a fatores como o aumento do número de pescadores no mar e as mudanças climáticas.

Apelo pela Revisão da Veda de Pesca

Um dos pontos centrais do debate entre os pescadores é o calendário da veda de pesca. Embora reconheçam a importância da interrupção temporária para a reprodução das espécies, argumentam que o período atual não está alinhado com o comportamento natural dos peixes na costa de Inhambane. Nelson Dzivane, com mais de vinte anos de experiência, sugere que o encerramento da pesca deveria ocorrer no inverno, quando a reprodução é mais intensa, permitindo uma recuperação mais eficaz dos recursos sem comprometer o rendimento das comunidades.

Posição das Autoridades e Especialistas

Américo Adamugy, Administrador do distrito de Inhambane, informou que está em curso um processo de harmonização dos períodos de veda entre os distritos costeiros, com uma proposta de defeso comum entre Janeiro e Abril. No entanto, as alterações deverão respeitar os parâmetros centrais.

Especialistas em conservação marinha, como António Cabral, alertam que a redução das capturas é um fenómeno multifatorial. Para além da veda, destacam a necessidade de reforçar a fiscalização, proteger ecossistemas costeiros, melhorar a gestão dos recursos e, crucialmente, criar fontes alternativas de rendimento para as comunidades. A dependência exclusiva da pesca torna as famílias mais vulneráveis durante os períodos de defeso.

Economia Azul e Sustentabilidade

O debate ocorre num momento em que Moçambique aposta na Economia Azul. Garantir a sustentabilidade da pesca artesanal é visto não apenas como uma questão ambiental, mas também como um desafio económico e social, essencial para a segurança alimentar e a manutenção de empregos na cadeia de valor pesqueira.

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