Iniciativa de apoio à permanência escolar
A Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique deu início a um novo projeto focado na segurança alimentar e na retenção escolar, denominado “School Meal”. Esta iniciativa visa beneficiar diretamente 3.300 alunos matriculados em três escolas primárias situadas no distrito de Nhamatanda, na província de Sofala. O programa, que tem um horizonte de execução definido até ao final do ano letivo de 2026, surge como uma resposta estratégica para mitigar os impactos negativos do absentismo escolar no aproveitamento pedagógico das crianças.
Contexto e objetivos do programa
O presidente da Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique, Dino Foi, sublinhou que a implementação deste projeto responde a uma preocupação persistente da organização: a continuidade da assistência às comunidades. Após a construção e entrega das infraestruturas escolares, o foco desloca-se agora para a manutenção de um ambiente que assegure a dignidade e a permanência dos alunos no sistema de ensino. A iniciativa é vista como um passo fundamental para garantir que as condições físicas das escolas sejam acompanhadas por condições sociais que permitam o desenvolvimento pleno dos estudantes.
Numa fase inicial, o projeto abrange três estabelecimentos de ensino: a Escola Básica de Nhansato, a Escola Básica Joaquim Marra e a Escola Básica de Nharuchonga. Estas unidades fazem parte de um conjunto mais vasto de 23 escolas erguidas pela organização como parte dos esforços de reconstrução pós-ciclone Idai na região de Sofala.
O desafio da insegurança alimentar
Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que a taxa de absentismo escolar nas províncias do centro do país ronda os 15,9%. As autoridades locais apontam a fome e a insegurança alimentar como fatores determinantes que agravam este cenário, impedindo que muitas crianças frequentem as aulas com regularidade. O programa “School Meal” procura, assim, atenuar estes obstáculos, fornecendo duas refeições diárias, tanto para os alunos do turno da manhã como para os do turno da tarde. Além disso, a iniciativa estende o seu alcance a outras crianças das comunidades onde estas escolas estão inseridas.
A coordenadora dos Projetos de Educação da Tzu Chi Moçambique, Cleotilde Chivambo, destacou a natureza sistémica da resposta. O projeto não se limita à distribuição de alimentos, mas promove a consciencialização sobre o cuidado ao próximo. Para tal, cada escola contará com pequenas hortas, enquanto as comunidades e famílias serão envolvidas no fornecimento de utensílios e lenha, fomentando uma responsabilidade partilhada na gestão do programa.
Histórico de intervenção e infraestruturas
A atuação da Fundação Tzu Chi em Nhamatanda possui um histórico relevante. Entre 2023 e 2025, mais de 4.200 alunos do ensino primário beneficiaram de refeições quentes diárias. Adicionalmente, desde 2024, a organização distribuiu 23.515 uniformes escolares em todas as escolas primárias que construiu na província de Sofala. No âmbito do projeto de reconstrução pós-ciclone Idai, a fundação já entregou cerca de 3.000 casas resilientes e 17 das 23 escolas planeadas.
O projeto de reconstrução, orçado em 108 milhões de dólares, conta com o apoio de mais de 10 milhões de voluntários da fundação em todo o mundo. As infraestruturas seguem o conceito “Build Back Better”, sendo projetadas para resistir a ciclones de categoria 4, com ventos de até 250 quilómetros por hora. A Fundação Tzu Chi, fundada pela Mestre Cheng Yen, celebra 60 anos de existência, orientando a sua atuação global através dos pilares de Educação, Caridade, Medicina e Cultura Humanística.
A importância da alimentação no ambiente escolar
Programas de refeições escolares são frequentemente utilizados como ferramentas de política pública para combater a evasão escolar. Em contextos de vulnerabilidade, o fornecimento de uma dieta equilibrada durante o período letivo não só melhora a capacidade de concentração e o desempenho cognitivo dos alunos, como também serve de incentivo para que as famílias priorizem a frequência escolar. A integração de hortas escolares e o envolvimento comunitário, como observado nesta iniciativa, tendem a fortalecer os laços entre a escola e o meio envolvente, promovendo uma cultura de sustentabilidade e cooperação que transcende a sala de aula.

