Cultura

Feira do Livro de Maputo presta homenagem a Noémia de Sousa e Luís Carlos Patraquim

Outubro 20, 2026

Uma celebração da literatura e da cultura

O Conselho Municipal de Maputo dá início à décima primeira edição da Feira do Livro de Maputo, um evento que se consolidou como um marco fundamental para o incentivo ao panorama livreiro e à promoção da leitura. A iniciativa, que ocupa espaços emblemáticos como o Paços do Município e o Jardim Tunduru, reafirma o compromisso da autarquia com a difusão da cultura e o fortalecimento do intercâmbio entre os diversos agentes do setor literário.

Noémia de Sousa: A patrona desta edição

Sob o lema “Se Me Quiseres Conhecer, Vem Sonhar Com o Livro”, a presente edição encontra a sua inspiração na vasta obra da poetisa Noémia de Sousa. A escolha da autora como patrona não é casual; ela reflete o reconhecimento do seu contributo inestimável para as letras, cuja influência transcende fronteiras. A celebração ganha um significado acrescido ao antecipar o centenário da poetisa, que será assinalado em 2026.

O lema do evento estabelece uma ligação direta com o poema “Se Me Quiseres Conhecer”, uma das peças mais emblemáticas do livro “Sangue Negro”, a única obra publicada em vida pela autora. Este mesmo poema serve de base para a biografia literária de Noémia de Sousa, recentemente publicada por Nelson Saúte, obra que tem sido objeto de lançamentos e debates em diversos contextos literários.

Homenagem a Luís Carlos Patraquim

Além da figura central de Noémia de Sousa, frequentemente referida como a “mãe dos poetas”, a programação da feira reserva um espaço de destaque para homenagear Luís Carlos Patraquim. O autor, reconhecido pela sua versatilidade enquanto poeta, escritor, dramaturgo e jornalista, possui uma trajetória literária marcada por títulos de referência como “Monção”, “A Inadiável Viagem”, “O Osso Côncavo e Outros Poemas” e “A Canção de Zefanías Sforza”. A inclusão de Patraquim no programa da feira sublinha a importância de revisitar e celebrar autores contemporâneos que moldaram a identidade literária através da sua escrita.

Programação e dinâmica do evento

Durante os três dias de duração, a Feira do Livro de Maputo propõe uma agenda diversificada, desenhada para atrair diferentes públicos, desde estudantes e professores a profissionais do livro e leitores ávidos. A estrutura do evento contempla o lançamento de novas obras e a venda direta de livros, permitindo um contacto mais próximo entre autores e o público.

Para além da vertente comercial, o evento aposta na vertente pedagógica e reflexiva através de mesas-redondas e encontros que promovem o debate sobre o estado atual da literatura. Oficinas criativas de leitura e escrita, bem como concursos literários, completam a oferta, incentivando a participação ativa da comunidade e o surgimento de novos talentos. Estes momentos são essenciais para fomentar o diálogo entre escritores, bibliotecários e o público em geral, consolidando a feira como um espaço de intercâmbio cultural.

O papel das feiras literárias na sociedade

Eventos literários desta natureza desempenham um papel crucial na dinamização do ecossistema do livro. Ao reunir editores, autores e leitores num mesmo espaço, estas feiras não só facilitam o acesso à literatura, como também funcionam como catalisadores para a valorização da língua portuguesa. A promoção de um ambiente onde a leitura é celebrada como um ato coletivo e criativo é uma prática comum em diversas cidades que buscam elevar o seu capital cultural.

A organização de feiras do livro permite, habitualmente, que o público tenha acesso a uma maior diversidade de títulos e autores, muitas vezes fora dos circuitos comerciais habituais. Ao integrar atividades formativas, como oficinas e debates, estes eventos transformam-se em centros de aprendizagem contínua, onde o livro é o ponto de partida para a reflexão crítica e o desenvolvimento intelectual da sociedade. A continuidade destas iniciativas é, por norma, um indicador do dinamismo cultural de uma região e da importância atribuída à preservação e difusão do património literário.

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