O início do planeamento estratégico para a Região Centro
A Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze (ADVZ) deu um passo significativo no sentido de definir o futuro económico e social da Região Centro. A instituição iniciou uma ronda de auscultações junto de diversas entidades públicas de nível central, com o propósito de recolher dados, contribuições técnicas e subsídios fundamentais para a elaboração do Pro-Zambeze 2026–2035. Este instrumento de planeamento pretende orientar as prioridades de desenvolvimento da região ao longo da próxima década, estabelecendo um roteiro claro para a transformação dos recursos e potencialidades locais em resultados tangíveis para as populações.
A complexidade do desenvolvimento regional
A Região Centro é reconhecida pela sua riqueza em ativos económicos, que incluem vastas áreas de terras agrícolas, recursos minerais e energéticos, além de corredores de transporte e infraestruturas estratégicas. Contudo, a transição entre o potencial existente e o desenvolvimento efetivo enfrenta obstáculos persistentes. Entre os desafios identificados, destacam-se a necessidade de acelerar a industrialização, fomentar a criação de emprego, aumentar a produtividade, melhorar a mobilidade e o acesso aos mercados, bem como reforçar a resiliência face às mudanças climáticas.
Para enfrentar estas questões, a ADVZ sublinha que a participação ativa de diferentes setores do Estado é um requisito indispensável. Segundo José Cardoso, diretor dos Serviços de Estudos e Análise Estratégica da agência, o Pro-Zambeze deve ser concebido como um instrumento integrado e participativo, garantindo que as ações estejam estritamente alinhadas com as prioridades nacionais de desenvolvimento.
Articulação institucional e setores estratégicos
O processo de auscultação abrange uma vasta gama de instituições, refletindo a natureza transversal do desenvolvimento regional. Entre os organismos envolvidos estão ministérios responsáveis pelas áreas da Agricultura, Ambiente e Pescas, Transportes e Logística, Recursos Minerais e Energia, além da Economia, Planificação e Desenvolvimento. A colaboração estende-se ainda ao Instituto Nacional de Estatística (INE), ao Gabinete Central de Reformas e Projectos Estratégicos e ao Banco de Moçambique.
Esta diversidade institucional é justificada pela interdependência das áreas envolvidas. A estratégia em preparação reconhece que a agricultura, a energia, a mineração e os transportes não podem ser geridos de forma isolada. O objetivo central é converter esta articulação institucional numa visão comum, que se materialize em projetos concretos e exequíveis.
Prioridades para o horizonte 2026–2035
O plano Pro-Zambeze estabelece metas ambiciosas para o período de 2026 a 2035. No setor agrícola, a tónica é colocada no aumento da produtividade e na melhoria do acesso aos mercados, com um foco especial no agro-processamento para garantir a retenção de valor local. No que diz respeito aos recursos minerais e energéticos, a prioridade é assegurar que a exploração destes ativos contribua diretamente para a industrialização e para o bem-estar das comunidades locais.
Quanto aos transportes e logística, a estratégia visa otimizar os corredores existentes, o que poderá resultar na redução de custos operacionais e no fortalecimento da posição da região como um centro comercial relevante. A participação do INE é considerada decisiva para que todas as decisões sejam fundamentadas em dados e evidências, enquanto a colaboração com o Banco de Moçambique é vista como essencial para enquadrar os desafios do investimento e do ambiente económico.
O compromisso com a implementação
A elaboração do Pro-Zambeze vai além da criação de um documento estratégico. O sucesso desta iniciativa será avaliado pela capacidade de mobilizar recursos, atrair investimento privado e estabelecer mecanismos rigorosos de monitoria. O impacto real do plano será medido através de indicadores concretos, como a melhoria de infraestruturas, a criação de empresas, a geração de empregos e a melhoria efetiva das condições de vida das famílias na região. A ADVZ procura, através deste processo de auscultação, lançar as bases sólidas para este novo ciclo de desenvolvimento.

