Abertura da 21.ª edição da Conferência Anual do Sector Privado
Teve início esta terça-feira, 14 de Julho, a 21.ª edição da Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026). O evento, que se realiza no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, consolida-se como o principal fórum de diálogo entre o Governo e o tecido empresarial. Com uma agenda focada no desenvolvimento económico, a conferência estende-se até quarta-feira, reunindo mais de dois mil participantes, entre decisores políticos, investidores nacionais e estrangeiros, académicos e representantes da sociedade civil.
O ponto alto do evento é a apresentação de um portefólio de projectos de investimento avaliados em cerca de 1,2 mil milhões de dólares. A sessão de abertura contou com a presença do Presidente da República, Daniel Chapo, sublinhando a importância estratégica desta plataforma para a definição de políticas económicas e para a atracção de capital necessário ao crescimento do país.
Foco em sectores estratégicos e diversificação económica
A organização da conferência, a cargo da Confederação das Associações Económicas, destacou um conjunto de áreas prioritárias para esta edição. Os projectos em destaque abrangem sectores vitais como o agro-negócio, agro-processamento, transportes e logística, além de infra-estruturas e turismo. A indústria transformadora, a digitalização e a economia verde também ocupam um lugar central nas discussões, sendo vistas como pilares fundamentais para aumentar a capacidade produtiva nacional e promover a diversificação da economia.
A escolha destas áreas não é aleatória; reflecte uma estratégia deliberada para criar emprego e fortalecer a base industrial. Ao apostar na transformação local, pretende-se reduzir a dependência de importações e aumentar o valor acrescentado dos produtos nacionais, tornando-os mais competitivos tanto no mercado regional como no cenário internacional.
Desafios e resiliência no ambiente de negócios
Sob o lema “Produzir, Transformar e Competir: Construindo uma Economia Forte e Resiliente”, a CASP 2026 decorre num momento marcado por desafios estruturais significativos. A economia enfrenta obstáculos como a vulnerabilidade a choques climáticos, dificuldades no acesso a divisas e a necessidade de garantir um fornecimento estável de combustíveis. Estes factores, aliados a constrangimentos estruturais, têm impactado a competitividade das empresas.
O debate durante a conferência visa, precisamente, identificar caminhos para contornar estas dificuldades. A discussão sobre reformas que facilitem o ambiente de negócios é, por isso, uma constante. O fortalecimento da produção nacional e a implementação de medidas que tornem o mercado mais resiliente são vistos como passos essenciais para garantir a sustentabilidade das empresas a longo prazo.
Estrutura e dinâmica do fórum
A conferência está organizada em quatro componentes fundamentais que permitem uma abordagem holística aos problemas e oportunidades do sector privado. A sessão plenária de alto nível serve como o principal palco para o diálogo entre o Executivo e os empresários, permitindo uma concertação directa sobre políticas públicas. Paralelamente, o fórum de investimento e parcerias funciona como um espaço de conexão, facilitando o encontro entre quem procura capital e quem pretende investir.
Adicionalmente, as sessões sectoriais e temáticas oferecem um espaço técnico para a identificação de entraves específicos e a formulação de propostas de solução. Complementarmente, a feira empresarial e de inovação permite que mais de 50 expositores, incluindo instituições financeiras, apresentem soluções tecnológicas e serviços, reforçando a dimensão prática do evento. Este formato visa não apenas o debate teórico, mas a concretização de parcerias reais que possam impulsionar o desenvolvimento económico.
Contexto histórico da CASP
Ao longo das últimas duas décadas, a CASP afirmou-se como um mecanismo permanente de concertação. A sua relevância reside na capacidade de reunir, num único espaço, os principais actores da vida económica. Temas como a simplificação administrativa, a reforma fiscal, o acesso ao financiamento e a melhoria das infra-estruturas têm sido recorrentes nas edições anteriores. Estes tópicos continuam a ser o motor das discussões, reflectindo a necessidade contínua de adaptação do quadro legal e económico às exigências de um mercado globalizado e em constante mudança. A conferência permanece, assim, como um barómetro da saúde económica e um catalisador para as reformas estruturais necessárias ao progresso do país.

