Tecnologia

INTIC reafirma compromisso com a inclusão digital em conferência especializada

Julho 10, 2026

Compromisso com a inclusão na era digital

O Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC) participou recentemente na Conferência sobre Deficiência e Transformação Digital, um evento focado em debater os desafios e as oportunidades da tecnologia para a promoção da equidade. A representação institucional, feita através do Departamento de Sistemas de Informação da Divisão de Governação Digital, serviu de plataforma para discutir o papel dos direitos digitais, da inteligência artificial e das políticas públicas inclusivas.

Durante a sua intervenção, o representante do INTIC enfatizou que a transformação digital deve ser, por definição, um processo centrado nas pessoas. O objetivo central é garantir que os avanços tecnológicos não criem novas barreiras, mas sim que funcionem como ferramentas de empoderamento para todos os cidadãos, independentemente das suas capacidades físicas ou sensoriais.

Políticas estruturantes e estratégias nacionais

A inclusão digital é um pilar fundamental da Política para a Sociedade da Informação. Este quadro normativo estabelece uma visão de longo prazo onde o acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) é um direito transversal, visando a eliminação de qualquer forma de discriminação no uso de serviços digitais. Este compromisso institucional reflete-se na integração de princípios de acessibilidade em documentos estratégicos de grande escala, como a Estratégia Nacional de Transformação Digital (ENTD) e a Estratégia Nacional de Inteligência Artificial (ENIA).

A elaboração destes instrumentos tem seguido uma metodologia participativa. O envolvimento de diversos setores da sociedade — incluindo o setor privado, a academia, a sociedade civil e organizações representativas de pessoas com deficiência — é considerado essencial para assegurar que as soluções tecnológicas sejam desenhadas para responder às necessidades reais da população.

Desafios da acessibilidade e normas internacionais

Um dos pontos centrais do debate foi o estado atual da acessibilidade nas plataformas digitais. Foi reconhecida a inexistência, no momento, de uma norma nacional específica baseada nas Web Content Accessibility Guidelines (WCAG), que são o padrão internacional de referência para tornar o conteúdo web mais acessível a pessoas com deficiência.

Contudo, o INTIC manifestou a intenção de colmatar esta lacuna através da adoção de boas práticas internacionais. O plano de ação institucional prevê o desenvolvimento de normas nacionais de acessibilidade digital, a promoção do desenho universal nos serviços públicos e o suporte contínuo à implementação da Estratégia de Inclusão Digital. O desenho universal, conceito fundamental nesta área, pressupõe que produtos e serviços sejam concebidos para serem utilizados pelo maior número possível de pessoas, sem necessidade de adaptações posteriores.

Participação ativa e cooperação global

A conferência serviu também para sublinhar a importância da colaboração entre o Estado e as organizações da sociedade civil. O representante do INTIC destacou que a definição de políticas públicas, especialmente no campo da Inteligência Artificial, deve ser feita em estreita consulta com as organizações de pessoas com deficiência. Esta abordagem está alinhada com as recomendações de organismos internacionais, como a UNESCO, as Nações Unidas e a União Internacional das Telecomunicações (UIT).

A cooperação internacional é vista como um motor para a capacitação técnica e para a harmonização de normas. Ao alinhar as políticas internas com as diretrizes globais, pretende-se criar um ecossistema digital mais robusto, onde a igualdade de oportunidades seja uma realidade prática e não apenas um objetivo teórico. O compromisso reafirmado pelo INTIC reflete a necessidade contínua de monitorizar e adaptar as políticas públicas à evolução tecnológica, garantindo que a transformação digital seja um processo inclusivo que não deixe nenhum cidadão para trás.

O contexto da transformação digital inclusiva

A transformação digital, quando bem gerida, tem o potencial de reduzir desigualdades históricas. Em termos gerais, a inclusão digital envolve não apenas o acesso a dispositivos e conectividade, mas também a capacitação dos utilizadores e a criação de interfaces que respeitem a diversidade humana. A adoção de padrões de acessibilidade em portais governamentais e serviços públicos é um passo crítico para a cidadania digital, permitindo que pessoas com deficiência possam interagir com o Estado de forma autónoma e eficiente.

O debate sobre a Inteligência Artificial, por sua vez, traz novos desafios éticos. A preocupação com a inclusão nestes sistemas deve focar-se em evitar enviesamentos que possam excluir grupos vulneráveis. Por isso, a participação de diversos atores na governação destas tecnologias é uma prática recomendada internacionalmente, assegurando que o desenvolvimento tecnológico seja acompanhado por uma vigilância constante sobre os direitos fundamentais dos cidadãos.

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