O Governo do Zimbabwe submeteu à Assembleia Nacional uma proposta de emenda à Constituição da República que visa estender o mandato do Presidente, dos parlamentares e dos governos locais de cinco para sete anos. O projecto, aprovado pelo Executivo em Fevereiro, concluiu a fase de consultas públicas e deverá ser agendado para debate parlamentar a partir do dia 2 de Junho, segundo informações do jornal News Day.
Caso a medida seja aprovada, o mandato do actual Presidente, Emmerson Mnangagwa, poderá ser prolongado por mais dois anos, estendendo-se até 2030. Adicionalmente, a proposta altera o método de eleição do Chefe de Estado, prevendo que este passe a ser eleito pelo Parlamento, em substituição do actual sistema de voto directo.
A iniciativa tem suscitado controvérsia. Enquanto sectores da sociedade civil e especialistas em direito constitucional defendem a realização de um referendo para validar as mudanças, o partido no poder, Zanu-PF, que detém a maioria parlamentar, sustenta que tal consulta não é necessária.
Durante uma reunião partidária, o Ministro da Justiça manifestou-se contra a realização de votações secretas no Parlamento, defendendo que o processo deve ser público e transparente, sob o argumento de evitar a corrupção entre os legisladores. A proposta de emenda é considerada um dos temas políticos mais sensíveis dos últimos anos no país vizinho.

