Uma nova abordagem para a gestão rodoviária
O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, manifestou recentemente a necessidade de uma transformação profunda na forma como o sector rodoviário é gerido. Durante o II Conselho Coordenador do Ministério dos Transportes e Logística, realizado em Marracuene, o governante sublinhou que a Administração Nacional de Estradas (ANE) e o Fundo de Estradas devem adoptar uma postura mais proactiva e eficiente. O objectivo central desta mudança é garantir que a rede viária responda de forma célere e eficaz às crescentes exigências económicas e sociais.
O evento, que decorreu sob o lema “Transportes Eficientes e Logística Competitiva para o Desenvolvimento”, serviu de palco para uma reflexão sobre o papel das instituições públicas na manutenção das infraestruturas. Segundo o ministro, a actuação do sector não deve limitar-se a intervenções reactivas, que surgem apenas quando a degradação das vias atinge níveis críticos, comprometendo a circulação e a segurança.
Prioridade à conservação preventiva e rigor técnico
Um dos pontos centrais da mensagem de João Matlombe é a transição para um modelo de conservação preventiva. Esta estratégia visa identificar e corrigir problemas nas vias antes que estes se transformem em danos estruturais graves, prolongando a vida útil das infraestruturas e optimizando os recursos financeiros disponíveis.
Para além da prevenção, o governante destacou a importância da qualidade na execução das obras. O respeito rigoroso pelos prazos contratuais e a implementação de mecanismos de fiscalização mais exigentes foram apontados como pilares fundamentais para garantir que o investimento público resulte em estradas duradouras e seguras. A responsabilização das instituições envolvidas é, neste contexto, vista como um passo essencial para assegurar que os padrões de qualidade sejam cumpridos de forma permanente.
Reestruturação e clarificação de competências
A necessidade de uma reestruturação no sector rodoviário tem como finalidade principal a clarificação das competências de cada entidade envolvida. Ao definir com maior precisão as responsabilidades da ANE e do Fundo de Estradas, o Governo pretende melhorar a coordenação interna, evitando sobreposições e garantindo que a aplicação dos fundos destinados à rede rodoviária nacional seja feita de forma mais optimizada e transparente.
O programa Mais Estradas – 2031
No âmbito do planeamento estratégico para o futuro das infraestruturas, o Governo tem em curso o programa “Mais Estradas – 2031”. Este plano ambicioso prevê a reabilitação e a expansão de mais de três mil quilómetros de estradas num horizonte temporal de cinco anos. O investimento estimado para a concretização destas metas ascende a 2,8 mil milhões de dólares norte-americanos.
A implementação deste programa é vista como um motor para o desenvolvimento, uma vez que a qualidade das vias de comunicação é um factor determinante para a eficiência logística e para a competitividade económica. A aposta na infraestrutura rodoviária reflecte a intenção de criar condições favoráveis para o escoamento de produtos e a mobilidade de pessoas, elementos cruciais para o crescimento sustentável.
A importância da gestão estratégica de infraestruturas
A gestão de infraestruturas rodoviárias é, por natureza, um desafio complexo que exige um equilíbrio constante entre a manutenção do que já existe e a expansão necessária para acompanhar o crescimento populacional e económico. Historicamente, o sector enfrenta dificuldades relacionadas com o desgaste natural das vias, factores climáticos e a pressão do tráfego pesado, o que exige que as entidades gestoras possuam capacidades técnicas robustas e uma visão de longo prazo.
A adopção de modelos de gestão baseados em evidências, onde a monitorização constante da rede viária permite antecipar necessidades de manutenção, é uma prática comum em contextos onde se procura maximizar o retorno do investimento público. Ao focar na fiscalização e na qualidade dos contratos, as autoridades pretendem assegurar que cada unidade monetária investida se traduza efectivamente em benefícios para os utilizadores das vias, reduzindo custos operacionais e aumentando a segurança rodoviária de forma sustentada.

