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Centro de Documentação e Formação Fotográfica Assinala Dia Mundial da Fotografia com Vasta Programação

Agosto 18, 2026

Abertura e Celebrações do Dia Mundial da Fotografia

O Centro de Documentação e Formação Fotográfica (CDFF) prepara-se para assinalar o Dia Mundial da Fotografia, celebrado anualmente a 19 de Agosto, com uma programação abrangente e de grande relevância cultural. A iniciativa, denominada “Fotograf’Arte Moçambique”, terá lugar na sede da instituição, localizada em Maputo, e visa destacar a importância da fotografia como ferramenta de registo histórico, expressão artística e meio de reflexão sobre a sociedade contemporânea.

Este evento não só celebra a efeméride global dedicada à fotografia, mas também se insere num contexto mais amplo de comemorações. A programação do CDFF está alinhada com as celebrações do jubileu da Independência Nacional, um marco significativo na história do país, e coincide com o 42º aniversário da própria instituição. A convergência destas datas confere um peso adicional às actividades, sublinhando o papel da fotografia na documentação e na interpretação dos percursos históricos e culturais.

A cerimónia de abertura oficial do evento e dos debates contará com a presença de Luís Canhemba, director do Gabinete de Informação (GABINFO). A participação de uma figura institucional de tal relevância realça o reconhecimento oficial da importância da fotografia e do trabalho desenvolvido pelo CDFF na preservação e promoção desta arte e técnica.

Exposição “Linhas do Tempo: Moçambique 1885 – 2026”

Um dos pontos altos da celebração será a inauguração da exposição intitulada “Linhas do Tempo: Moçambique 1885 – 2026”. Esta mostra promete ser uma viagem visual através de diferentes épocas, reunindo um vasto acervo de imagens provenientes da própria instituição, bem como de colaboradores. A exposição está estruturada em três eixos temáticos distintos, cada um abordando um período crucial da história:

  • Período Colonial: Esta secção explorará a iconografia visual que marcou a era colonial, oferecendo uma perspetiva sobre a vida, a sociedade e as transformações ocorridas durante esse tempo. As imagens deste período são cruciais para compreender as bases históricas e sociais que moldaram o futuro.
  • Luta de Libertação: Dedicada aos anos de combate pela independência, esta parte da exposição documentará os momentos e os rostos que protagonizaram a luta. A fotografia, neste contexto, assume um papel fundamental como testemunha e registo da resistência e da busca pela autodeterminação.
  • Moçambique Contemporâneo: O último eixo focar-se-á no período pós-independência até aos dias atuais, projetando-se simbolicamente até 2026. Esta secção visa capturar a dinâmica da sociedade moderna, os seus desafios, conquistas e a evolução cultural e urbana, mostrando a diversidade e a complexidade do presente.

Através destas “Linhas do Tempo”, o CDFF propõe uma reflexão profunda sobre a memória coletiva e a forma como a fotografia contribui para a construção e preservação da identidade de um povo ao longo das gerações.

Lançamento do Concurso “Click’arte – O Meu Bairro é Minha Cidade”

Paralelamente à exposição, será lançado o concurso “Click’arte – O Meu Bairro é Minha Cidade”. Esta iniciativa tem como objetivo principal desafiar jovens talentos e fotógrafos de todas as idades a capturar a essência da vida urbana. O concurso incentiva os participantes a explorar os seus bairros, a documentar as suas particularidades, as suas gentes, as suas rotinas e as suas paisagens, transformando o quotidiano em arte.

Ao focar-se na vida urbana e na perspetiva dos próprios moradores, o concurso não só promove a criatividade e o desenvolvimento de novas habilidades fotográficas, mas também estimula uma maior observação e valorização do ambiente local. É uma forma de dar voz e visibilidade às comunidades, permitindo que a cidade seja contada através dos olhos de quem a vive e a constrói diariamente.

O Painel de Debate Central: Fotografia na Era Digital e da IA

O ponto alto das celebrações será um painel de debate, que promete discussões enriquecedoras sobre o presente e o futuro da fotografia. A moderação geral estará a cargo do jornalista cultural Elcídio Bila, garantindo um diálogo fluído e aprofundado entre os oradores e o público.

O painel contará com a participação de três especialistas, cada um abordando uma faceta crucial da fotografia contemporânea:

  • Criciano Cossa: Discutirá o tema “Fotografia, Juventude e Identidade Urbana”. Esta abordagem explorará como a fotografia é utilizada pelos jovens para expressar a sua identidade, para documentar as suas experiências nos espaços urbanos e para construir narrativas visuais sobre a sua pertença e visão de mundo. A moderação temática deste primeiro tema será de Bernardino Tomo, o que permitirá um foco ainda mais detalhado nas questões levantadas.
  • Pedro Mourana: O artista plástico abordará “Fotografia como manifestação artística contemporânea”. Esta intervenção focará na evolução da fotografia de um mero registo para uma forma de arte complexa e multifacetada, explorando as suas diversas linguagens, técnicas e o seu lugar no panorama artístico atual.
  • Adelium Castelo: Terá a missão de falar sobre “Fotografia Digital e os seus desafios com a IA”. Este tema é de particular relevância na atualidade, abordando as transformações que a digitalização e a inteligência artificial trouxeram para a prática fotográfica, desde a captura e edição até à autenticidade e ética da imagem.

Dirigido a um público vasto, que inclui estudantes, professores, fotógrafos profissionais e amadores, e o público em geral, o encontro propõe uma reflexão coletiva sobre a imagem. O objetivo é pensar a fotografia não apenas como um documento ou uma forma de arte, mas também como uma ferramenta crítica essencial num tempo marcado pela constante transformação digital e pela crescente influência da inteligência artificial.

Contexto e Relevância da Fotografia na Sociedade Atual

A diretora-geral do CDFF, Cecília Gonçalves, sublinha a profunda importância da data, afirmando que o Dia Mundial da Fotografia reafirma o papel da fotografia como uma “tecnologia da memória” e uma “linguagem da criatividade humana”. Esta perspetiva destaca a dualidade intrínseca da fotografia: a sua capacidade técnica de registar e preservar momentos, tornando-se um arquivo visual da existência, e a sua dimensão artística, que permite aos criadores expressar visões, emoções e ideias de formas inovadoras.

Como “tecnologia da memória”, a fotografia transcende o tempo, permitindo que gerações futuras acedam a eventos, pessoas e lugares que de outra forma seriam perdidos. É um elo vital com o passado, fundamental para a construção da identidade individual e coletiva. Enquanto “linguagem da criatividade humana”, a fotografia oferece um vasto leque de possibilidades expressivas, desde o fotojornalismo que informa e denuncia, à fotografia artística que provoca e inspira, passando pela fotografia documental que narra histórias e contextos sociais.

No cenário atual, a fotografia enfrenta desafios e oportunidades sem precedentes. A proliferação de dispositivos digitais e a facilidade de partilha de imagens transformaram a forma como interagimos com o mundo visual. Contudo, esta democratização também levanta questões sobre a veracidade, a manipulação e o impacto ético das imagens, temas que o debate do CDFF procura abordar de forma crítica e construtiva.

O Papel do CDFF e a Importância da Data

O Centro de Documentação e Formação Fotográfica, ao organizar um evento desta magnitude, reafirma o seu compromisso com a promoção e a valorização da fotografia. A instituição desempenha um papel crucial na preservação do património fotográfico e na formação de novas gerações de fotógrafos, contribuindo ativamente para o desenvolvimento cultural e artístico. A celebração do Dia Mundial da Fotografia é, portanto, uma oportunidade para o CDFF consolidar a sua missão e envolver a comunidade em torno desta arte.

A escolha dos temas para a exposição e o debate reflete uma preocupação em ligar a fotografia à história, à identidade e aos desafios tecnológicos contemporâneos. Ao abordar o Período Colonial, a Luta de Libertação e o Moçambique Contemporâneo, a exposição “Linhas do Tempo” oferece uma perspetiva histórica que é essencial para a compreensão do presente. O concurso “Click’arte”, por sua vez, incentiva a exploração do quotidiano e a expressão da identidade urbana, enquanto o painel de debate mergulha nas questões mais prementes da fotografia digital e da inteligência artificial.

Em suma, as celebrações do Dia Mundial da Fotografia organizadas pelo CDFF constituem um momento de reflexão, aprendizagem e celebração da imagem. É uma iniciativa que não só honra a história da fotografia, mas também projeta o seu futuro, reconhecendo o seu poder contínuo de informar, inspirar e conectar as pessoas através das suas lentes.

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