Cultura e Economia

Féling Capela defende turismo cultural que valoriza territórios e economias criativas

Julho 30, 2026

Uma nova visão para o turismo cultural

O artista Féling Capela, representante do Festival Internacional de Poesia e Artes Performativas – POETAS D’ALMA, traz ao debate público uma reflexão profunda sobre o papel dos festivais na estruturação das cidades e no fomento da economia criativa. A sua participação na mesa-redonda intitulada “Dicionário afectivo da cidade: Festivais e acções de fomento à economia criativa” coloca em evidência a necessidade de repensar como o turismo cultural interage com as comunidades locais e os seus espaços periféricos.

O papel dos festivais como infraestrutura urbana

Para Féling Capela, a concepção de um festival de artes vai muito além da simples realização de eventos culturais. O artista defende que um festival deve ser encarado como uma verdadeira infraestrutura urbana, capaz de deixar um legado duradouro para a cidade. Numa perspectiva futurista, a arte é apresentada não apenas como uma forma de expressão, mas como uma ferramenta económica vital, capaz de gerar renda e consolidar a identidade de um território.

A ideia central é que a arte, quando bem integrada no planeamento urbano, funciona como um motor de desenvolvimento. Se a vida humana tem um prazo, a cidade, enquanto organismo vivo, necessita de legados que perdurem. Estes legados, segundo a visão apresentada, constroem-se através de uma arte que respeita as pessoas, o espaço geográfico e o tempo histórico de cada localidade.

Turismo que respeita a sociologia e a antropologia

Um dos pontos mais críticos da reflexão de Capela é a necessidade de um turismo cultural que não seja colonizador. O artista propõe um modelo de intercâmbio onde o visitante aprende com o território, em vez de apenas consumir a cultura local de forma superficial. Este humanismo, que o artista defende, deve ser prático e tangível: um turismo que não romantiza a pobreza ou a periferia, mas que, acima de tudo, paga pelo valor que consome.

Esta abordagem exige uma compreensão profunda da sociologia e da antropologia do território. Ao respeitar estas dimensões, o turismo deixa de ser uma atividade extrativista e passa a ser uma parceria que fortalece a economia criativa local, permitindo que os artistas e as comunidades periféricas sejam os principais beneficiários do fluxo turístico.

O debate internacional sobre economia criativa

O painel de discussão conta com a presença de diversas vozes internacionais, incluindo representantes de festivais do Brasil, África do Sul e Eswatini. Esta diversidade de participantes sublinha a importância global do tema. A economia criativa é, atualmente, um dos setores que mais cresce no mundo, sendo capaz de transformar cidades através de eventos que atraem visitantes, promovem o intercâmbio cultural e geram postos de trabalho.

A presença de moderadores e especialistas de diferentes contextos geográficos permite que o debate sobre o “Dicionário afectivo da cidade” ganhe contornos mais amplos, discutindo como as cidades podem ser desenhadas para acolher a cultura como um pilar central da sua existência. A economia criativa, neste sentido, não é apenas um setor de mercado, mas uma forma de organizar a vida social e económica em torno da criatividade humana.

Implicações do turismo cultural sustentável

Quando se discute um turismo que “paga e respeita”, está-se a falar de sustentabilidade económica e ética. Historicamente, o turismo cultural tem enfrentado desafios relacionados com a gentrificação e a descaracterização de espaços periféricos. A proposta de um modelo que prioriza a dignidade e a remuneração justa dos intervenientes locais é uma resposta direta a estes problemas.

Ao tratar o turismo como uma ferramenta de formação do cidadão global, incentiva-se uma consciência crítica sobre o impacto das viagens e do consumo cultural. O turismo, quando bem gerido, pode ser um poderoso aliado na preservação do património imaterial e na valorização das periferias urbanas, transformando-as em centros de produção cultural reconhecidos e valorizados pelo mercado internacional.

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