Internacional

Acesso a dinheiro físico: Estudo revela desafios em centenas de freguesias

Julho 21, 2026

O panorama atual do acesso a numerário

Um estudo recente sobre a rede de acesso a numerário trouxe à luz uma realidade significativa para a organização territorial e financeira: 1.241 freguesias, o que representa 40% do total existente, não dispõem de qualquer ponto de acesso a dinheiro físico. Este cenário, identificado com base em dados de 2025, coloca em evidência os desafios enfrentados por cerca de 700 mil pessoas que, para obterem dinheiro vivo, necessitam de se deslocar para fora da sua área de residência habitual.

A rede de acesso a numerário é composta por quase 18 mil pontos, distribuídos entre caixas automáticas, agências bancárias com serviços de numerário e pontos de cash-in-shop. Embora a cobertura pareça vasta à escala nacional, a distribuição geográfica revela assimetrias importantes, com uma concentração acentuada em zonas rurais, onde a densidade populacional é menor e a dispersão geográfica é maior.

A distância como barreira à inclusão financeira

O impacto desta escassez de pontos de acesso não é uniforme. Enquanto para muitos a proximidade a um caixa automático é uma realidade quotidiana, para outros, a distância torna-se um obstáculo real. O estudo aponta que 67 freguesias enfrentam constrangimentos severos, situando-se a mais de 15 quilómetros do ponto de acesso mais próximo. Em casos extremos, esta distância ultrapassa os 20 quilómetros, sendo que a freguesia mais isolada chega a distar 30,6 quilómetros de qualquer alternativa de levantamento de numerário.

Esta situação levanta questões sobre a equidade no acesso a serviços básicos. O banco central identificou concelhos específicos que enfrentam desafios acrescidos, alertando que qualquer contração adicional na rede de balcões ou caixas automáticas poderia ter consequências críticas para as populações residentes nessas áreas, que totalizam cerca de 174 mil pessoas.

Freguesias vulneráveis e a gestão da rede

Além das áreas já desprovidas de acesso, o estudo introduz o conceito de ‘freguesias potencialmente vulneráveis’. Estas são zonas que, embora possuam atualmente um ponto de acesso, correm o risco de ficar isoladas caso ocorra o encerramento de uma agência ou a remoção de uma caixa automática. A vulnerabilidade é medida através de critérios como a densidade populacional servida por cada ponto, a área geográfica abrangida e a combinação de ambos os fatores.

Em 2025, foram identificadas 36 freguesias nestas condições, um número que reflete a pressão sobre a rede bancária. A tendência de redução de balcões físicos, motivada pela preferência das instituições financeiras por localizações com maior atividade económica e fluxo turístico, acaba por penalizar os territórios com menor densidade demográfica.

Contexto e implicações do acesso ao dinheiro físico

O acesso a numerário continua a ser um pilar fundamental para a inclusão financeira de diversos estratos da população. Em muitas comunidades, o dinheiro físico é o meio de pagamento predominante para transações diárias, especialmente entre populações mais idosas ou em regiões onde a digitalização dos pagamentos ainda não é universal. A manutenção de uma rede capilar de acesso é, por isso, um tema de debate frequente sobre o papel das instituições financeiras na prestação de um serviço de interesse público.

Historicamente, a gestão destas redes tem sido um equilíbrio entre a eficiência operacional das entidades bancárias e a necessidade de garantir que todos os cidadãos, independentemente da sua localização geográfica, possam aceder aos seus recursos financeiros. Iniciativas governamentais, como projetos-piloto que visam instalar terminais em zonas desprovidas de serviços, surgem como uma tentativa de mitigar estas lacunas, procurando assegurar que a transição para métodos de pagamento digitais não deixe para trás as populações mais isoladas ou com menor literacia digital.

Em suma, embora 95% da população consiga aceder a um ponto de numerário num raio de cinco quilómetros, a persistência de zonas críticas demonstra que a coesão territorial no acesso a serviços financeiros permanece um desafio estrutural que requer monitorização constante e estratégias adaptadas às necessidades específicas de cada região.

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